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terça-feira, 26 de julho de 2022

Lágrimas de saudade (conto de 02/07/2013)


Faz dois dias que estou aqui...

Eu e minha mãe nos mudamos para um lugar horrível. Sinto falta do meu lugar, da minha casa e não estou acostumada com essas coisas de ''ar livre''. Minha mãe disse que cidade grande traz poluição e não é bom para nós.

Amigos, colegas, pessoas que eu gostava, bons momentos, tudo deixado para trás. Sentia saudades do meu pai. Se ele ainda estivesse morando comigo e com minha mãe, não deixaria que ela fizesse isso.

Não que ela seja uma pessoa ruim, só que ela escolheu o pior lugar para morarmos!

Mas o que eu mais sentia falta era dele... Um garoto muito especial que eu sempre observava de longe, talvez nem soubesse de minha existência.

Eu sempre ia no mesmo lugar que ele ia, com minhas amigas é claro, para vê-lo mesmo não podendo conversar com ele por ter vergonha demais. Elas diziam que talvez tentar não fizesse mal, que ele era uma pessoa como todos nós e não iria ''morder''. Eu ria com o comentário e dizia que preferia ficar quieta em relação a isso. Imagina que estranho você chegar ´para um garoto que nem conhece você e se declarar do nada? Bizarro não?

Mas eu o conhecia, conhecia muito bem. Só ele não sabia disso. Mas se ele me notasse e quisesse falar comigo, ele que viesse,pois não sou de correr atrás. Ele que deveria perceber meus sentimentos sozinho e se não percebesse, bom aí que ficasse por isso mesmo não é?!

Mas, chegar para fazer amizade não era uma ideia ruim. Só que eu sou tão tímida para essas coisas que acabava sempre deixando para o próximo dia, do próximo eu passava para o outro, e outro e assim sucessivamente. Até que me mudei e nunca tive a chance de conversar com ele. E eu não tinha motivos para voltar em minha antiga casa a não ser que fosse para visitar uma amiga só que isso seria muito raro porque minha mãe trabalhava o dia inteiro e eu vivia cuidando da casa pela tarde no tempo em que eu estaria livre. E no fim de semana quando eu estava realmente livre, elas nunca estavam em casa. Outra que eu mudei-me para muito longe não é assim: ficar pegando avião e trem todo fim de semana.

É complicado para mim. Duas noites que não durmo pois lágrimas de saudade escorrem pela minha face a noite quando tento dormir.

Saudades do meu pai, dos meus amigos, do garoto que gostava, dos momentos divertidos que passei com amigos e colegas que nunca mais voltarão...

Agora é só seguir em frente e tentar recomeçar uma nova vida, com novos amigos, novos momentos e aventuras... o que eu não sei se vai acontecer porque será difícil eu me adaptar.

Mas de uma coisa eu sei: Eu quero voltar para casa.

E enquanto isso não acontecer, essas lágrimas de saudade não pararam de cair, noite após noite.


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