Pink Bobblehead Bunny

terça-feira, 26 de julho de 2022

Fanfiction: Chuva de Estrelas (anime: Spy x Family)

 


— Anya quer ver as estrelas!

Foi o que ela disse.

    Não fazia muito tempo desde que havíamos nos tornado uma "família". Eu ainda precisava ser cauteloso e agir como se fosse realmente um pai.

Mas não é nada fácil com um alvo em jogo. Eu ainda precisava desmascarar o Desmond.

— Podemos fazer isso outro dia Anya, prometo.

— M-mas hoje é o único dia que vai chover estrelas, Anya quer ver pa! 

Ela sabe ser muito convincente quando quer!

— Lloyd, eu não acho que fará mal levar ela para ver as estrelas só um pouquinho, certo Anya? — Yoru dizia com um sorriso.

Duas contra um, "perfeito''.

— Certo, nós iremos, mas ficaremos apenas um pouco e depois vamos voltar para casa certo?

— Obaaaa, Anya concorda! O pa e a ma são os melhores! — Anya rodopiou pela sala enquanto abraçava nossas pernas alegremente.

    E assim nos dirigimos até um pequeno festival que estava sendo realizado pelos habitantes de nossa cidade, a chuva de meteoros que ocorreria uma vez e outra como aquela só daqui há 50 anos mais tarde.

Muitas barracas foram montadas para o grande evento de doces, salgados, quiromancia, jogos e muitas coisas desse tipo. Enquanto eu e Yoru caminhávamos lentamente, Anya corria entusiasmada a nossa frente admirando cada mínimo detalhe do lugar.

De repente ela para e posso ouvir um pequeno ruído vindo de algum lugar.

—  Já entendi, tem alguém com fome. Irei buscar algo para comermos e volto em um segundo, Yoru fique de olho na Anya.

—  Anya está debaixo dos olhos da ma!

— Com certeza, fique tranquilo, Lloyd!

Fui até uma barraquinha onde estavam vendendo alguns hambúrgueres e bolinhos de peixe.  Pedi  três hambúrgueres, alguns bolinhos e fiquei aguardando. Parecia algo surreal que algumas semanas atrás, eu estava resolvendo missões de um nível totalmente diferente deste, uma família, quem diria. Como resolvi cortar qualquer tipo de relacionamento, essa missão é praticamente um completo desafio. Não sou bom com crianças, nem esposas, mas realmente tive sorte, foi fácil encontrá-las e até que Anya não dá tanto trabalho assim. E quanto a Yoru, ela também tem seus motivos, então foi fácil fazermos acordo. 

Enquanto estou perdido em pensamentos no caminho de volta, escuto um grito.

Era o de Anya.

O que poderia ter acontecido?

Corri rapidamente tentando não derrubar os lanches até onde elas estavam.

— Vocês estão bem?

Quando cheguei, muitas pessoas cochichavam com uma expressão de espanto e no chão perto de Anya e Yoru haviam dois homens visivelmente feridos, seus rostos estavam inchados, seus braços torcidos e eles se contorciam de dor. Nada de incomum que eu já não havia visto, mas o que me espantou foi que Yoru segurava duas armas apontadas para eles. Provavelmente, as armas dos mesmos homens que tentaram atacá-las.

— Esses homens maus tentaram machucar a ma! — Anya dizia com os olhos marejados.

— Pelo jeito você deu um bom jeito neles, mas vamos embora daqui, isso não é uma boa ideia.

— Eu apenas estava protegendo a Anya! — Yoru me olhou com reprovação.

— Eu acredito em você, protegeu bem demais! — a encarei.

Yoru deu um gritinho de espanto e largou as armas no chão, surpresa com o que ela própria fizera. É claro que não havia atirado neles, e sim dado uma boa surra, mas por pouco algo pior não aconteceu. E isso colocava todo nosso plano em risco.

— Vamos embora Anya. — a peguei no colo.

— Mas pa, a chuva de estrelas!

— Com certeza haverão muitas outras pra você ver, tenho certeza. — daqui há 50 anos tenho certeza que ainda estará viva. — pensei.

— Waaaaa, Anya não quer ver só daqui a 50 anos, Anya quer ver hoje! — ela protestava em meu colo e chorava. É muito estranho como essa garotinha parece ler o que estamos pensando, como ela sabia disso? Provavelmente pela tv.

— Escute Anya..— 

— Podemos encontrar um lugar melhor para vê-las, um pouco mais longe daqui, o que acham? — Yoru me interrompeu com um sorriso..

— Maaaa, que grande ideia! — Anya agora esboçava um sorriso, saltando para o colo de Yoru alegremente.

— Ai ai, tudo bem, mas depois iremos direto para casa, essa noite já está ficando longa demais! — protestei.

— Tenha mais paciência, Lloyd, que tal comermos os lanches? Esse mal humor todo parece ser fome. — ela ria enquanto Anya concordava rindo junto.

Essas duas ainda vão me causar um problema.

— Tudo bem, vamos.

    Andando por alguns minutos, encontramos uma espécie de colina com uma única árvore e um banco, dava uma boa visão da chuva de meteoros e podíamos comer nossos lanches.

Porém, nuvens começaram a se alinhar e com certeza isso não deixou Anya feliz.

— Oh não… eu sinto muito Anya! — Yoru se dirigiu a ela com um olhar triste.

— Anya… Anya queria muito ver a chuva de estrelas, e não só chuva comum… — Anya suspirava de uma forma tão triste que chegava a cortar o coração, admito.

— Precisamos achar um lugar para nos abrigarmos até a chuva passar.

— Tudo bem.. — Anya suspirou de cabeça baixa.

Antes da chuva começar, encontramos um pequeno abrigo não muito longe dali, com banquinhos também e nos sentamos para finalmente comer os lanches.

Nós três sentamos em um dos bancos de onde se podia ver toda a cidade e as luzes de muitas casas. Também havia árvores por todo o lado. Anya sentou-se em nosso meio com os pés em cima do banco e abraçou os joelhos com a cabeça baixa.

— Anya, quer bolinhos de peixe? — Yoru perguntou tentando animá-la.

Anya apenas sacudiu a cabeça em reprovação.

Crianças são mesmo um mistério, uma hora estão muito felizes e eufóricas e de repente uma única coisa parece estragar o dia delas. E é tudo por conta da inocência que elas possuem.

Crianças não sabem o que é a dificuldade da vida adulta, e não sabem que muitas coisas que acham ser magia acabam por se desfazer quando crescem. Mas apesar da Anya saber o que é dor e sofrimento, afinal foi rejeitada por quatro famílias, ela ainda tem sua inocência de criança, mesmo sendo muito diferente das outras.

E é claro que a chuva forte começou a cair, e Anya parecia cada vez mais desanimada.

Eu vendo isso tinha que fazer alguma coisa. É claro que não seria o resultado esperado, mas tentar não custaria.

— Ei Anya!

Ela levantou a cabeça para me olhar.

— Sei que não é uma “chuva de estrelas” mas tenho algo para você. 

Tirei um pequeno papel do bolso. Seu embrulho era azul escuro e continha estrelas cadentes. Seu olhar curioso pareceu se iluminar um pouco.

— Isso é…

— Abra Anya! — Yoru a incentivou.

— Ela abriu o papel e abriu também um pequeno sorriso.

— Amendoins! Eu aamo amendoins! Obrigada pa! — Anya se inclinou para me abraçar. Fiquei surpreso no início mas retribui o abraço gentil daquela pequena garotinha.

— Sabe, nós seres humanos, adultos e crianças, podemos ter problemas na vida que podem não se comparar, mas eles sempre passam, eles nunca permanecem para sempre.

— Assim como a chuva? — Ela completou minha frase antes de eu terminar.

— Isso você entendeu, assim como a chuva! — Essa menina realmente tem algo de incomum, disso não tenho dúvidas.

— Ei, falando nisso olhem a chuva está parando! — Yoru comentou.

Pareceu como uma chuva de verão, dessas fortes que caem mas depois logo param. As nuvens se dispersaram lentamente e as estrelas começaram a surgir no céu uma a uma.

E de repente, um meteoro caiu, depois outro, e outro e assim foi se seguindo.

— É  a chuva de estrelas, a chuva de estrelas! — Anya pulou do banco e começou a correr e rodopiar alegremente olhando para o céu.

— Você conseguiu vê-la, afinal! — Yoru comemorava com ela segurando sua pequena mãozinha.

— Graças a você ma, e ao pa! Vocês são mágicos! — ela olhou diretamente para mim e sorriu.

Meu coração não pode deixar de sentir algo estranho e diferente, O que será isso? 

Essa sensação era nova para mim, mas não era algo tão ruim.. Só me surpreendeu.

Crianças podem ser um mistério. 

E a alegria delas é fascinante.

Assim como a da Anya e sua chuva de estrelas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário